A empresa chilena ObraLink foi selecionada entre as startups mais inovadoras do país após consolidar o uso do robô CiBot e sensores térmicos para monitorar a cura do concreto em canteiros de obras.
O reconhecimento ocorreu durante o encontro Startup.Connect do décimo quarto Summit País Digital 2026 em Santiago. Fundada por engenheiros civis liderados por Emiliano Pinto, a startup de tecnologia para construção captou mais de seis vírgula um milhões de dólares em aportes estratégicos de grandes investidores da indústria pesada, incluindo os fundos corporativos CEMEX Ventures e Polpaico Soluciones. O sistema já opera em grandes obras residenciais e de infraestrutura no Chile, no México e no Peru.
A construção civil é historicamente um dos setores com menores índices de digitalização e produtividade na América Latina, dependendo de cronogramas empíricos e ensaios laboratoriais demorados para validar a resistência de estruturas de concreto armado. A solução da ObraLink substitui metodologias analógicas por uma plataforma contínua de sensoriamento físico e modelagem tridimensional, encurtando prazos contratuais de grandes empreendimentos.
Robótica autônoma e sensores térmicos sincronizados a modelos digitais
O dispositivo central da inovação é o robô móvel autônomo CiBot, que percorre canteiros de obras realizando varreduras tridimensionais do avanço físico das estruturas. O equipamento é equipado com câmeras de alta resolução e sensores térmicos que monitoram a evolução de temperatura das peças recém-concretadas. As leituras são sincronizadas em tempo real com os modelos digitais de informação da construção, conhecidos pela sigla BIM, comparando o planejado com o executado.
A resistência mecânica do concreto armado está diretamente relacionada ao calor de hidratação liberado durante a reação química do cimento nas primeiras horas após o lançamento. Sensores embutidos nas fôrmas registram as curvas térmicas a cada minuto e transmitem os dados sem fio para algoritmos preditivos que calculam a resistência à compressão em tempo real, sem a necessidade de romper corpos de prova em prensas laboratoriais externas.
Essa precisão científica permite que engenheiros de campo determinem com segurança exata o momento em que os moldes e escoramentos podem ser desformados. Ao eliminar margens de segurança empíricas excessivas que mantinham as peças travadas por dias adicionais, a tecnologia confere previsibilidade e velocidade à montagem das lajes e pilares seguintes do edifício.
Redução de custos operacionais e aceleração de prazos estruturais
Os resultados econômicos mensurados em mais de cem projetos comprovam a eficácia da abordagem automatizada. As construtoras usuárias do sistema registraram reduções médias de até quinze por cento nos custos totais de aluguel e aquisição de fôrmas estruturais, além de diminuição de até vinte por cento no tempo total de execução da estrutura de concreto de edifícios altos.

A aceleração das fases iniciais da obra gera economias expressivas em despesas fixas de canteiro, como locação de gruas, energia temporária e equipes de supervisão. Além disso, a entrega antecipada de imóveis comerciais e habitacionais antecipa a geração de receitas financeiras para as incorporadoras, elevando o retorno sobre o capital investido em empreendimentos de longo prazo.
A plataforma inclui ainda a digitalização completa do diário de obra por meio de comandos de voz e fotografias georreferenciadas capturadas pelos mestres de obras. O sistema gera relatórios automáticos de conformidade técnica e segurança do trabalho, eliminando o uso de anotações em papel e centralizando a prestação de contas com seguradoras e agentes financeiros em um painel transparente na nuvem.
Exportação de engenharia avançada para a mineração e infraestrutura regional
O sucesso da tecnologia no segmento imobiliário impulsionou a expansão da empresa para obras pesadas no setor de mineração nos Andes chilenos e peruanos. Nessas regiões remotas de grande altitude e oscilações térmicas extremas, o controle rigoroso da cura do concreto em túneis e fundações de moinhos é vital para prevenir trincas precoces que poderiam comprometer a operação contínua de plantas bilionárias de cobre.
A criação de robôs e softwares proprietários concebidos na América Latina demonstra que o ecossistema regional de tecnologia é capaz de fornecer inovações de alto valor agregado para a indústria física, superando a dependência de consultorias e maquinários importados do hemisfério norte. A empresa conta com patentes concedidas nos Estados Unidos e na América do Sul para seus métodos de aferição não destrutiva.
A diretoria da ObraLink planeja consolidar suas subsidiárias no México e no Peru nos próximos meses e iniciar testes de campo em grandes obras na Colômbia. A startup pretende expandir as capacidades de seu robô CiBot para incluir checagens automáticas de alinhamento de armaduras de aço e medição de emissões de carbono nos materiais utilizados em canteiro.