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MineWatch capta US$ 900 mil para expandir redes mesh em mineração subterrânea no Chile

Jose Reyes, Gajardo Bernal, Johann Witt, Nicolás Canales e Constanza Bustos - Foto: Divulgação Minewatch

A empresa chilena de tecnologia profunda MineWatch anunciou em 8 de setembro de 2026 um aporte seed de US$ 900 mil liderado pela Alza Mining Tech para acelerar suas redes mesh subterrâneas.

A companhia foi criada pelo engenheiro José Reyes como uma divisão especializada da Vigalab SpA para resolver os gargalos de comunicação em ambientes confinados. A rodada de investimento será destinada à contratação de engenheiros de hardware e à ampliação dos módulos de sensoriamento químico e térmico.

O sistema desenvolvido pela empresa elimina a necessidade de instalar cabos de rede e fibras ópticas ao longo de galerias subterrâneas de mineração. A tecnologia estabelece uma malha de dados sem fio resiliente em locais com bloqueio total de sinais de telefonia celular e posicionamento por satélite.

Arquitetura de nós em malha e conectividade sem cabeamento

A infraestrutura da MineWatch baseia-se em nós autônomos de radiofrequência alimentados por baterias de longa duração, dispensando infraestrutura elétrica permanente em frentes de lavra ativas. Cada nó instalado nas paredes de pedra atua simultaneamente como transmissor e repetidor de pacotes de telemetria.

Os equipamentos possuem alcance nominal de duzentos e cinquenta metros por ponto de repetição, permitindo cobrir quilômetros de túneis sinuosos com poucas unidades. Caso um dos nós seja danificado por detonações de rocha ou movimentação de terra, a rede recalcula automaticamente a rota dos dados por caminhos alternativos.

Essa topologia em malha garante alta tolerância a falhas e tempo de resposta na escala de milissegundos para mensagens prioritárias. A transmissão das informações recolhidas no subsolo chega aos centros de controle na superfície por meio de gateways posicionados nas entradas principais das minas.

A facilidade de deslocamento dos nós permite que as equipes de perfuração avancem com a cobertura de comunicação à medida que novas galerias são abertas. Essa flexibilidade operacional reduz em até setenta por cento os custos tradicionais de implantação de redes cabeadas na indústria extrativa.

Os rádios proprietários utilizam frequências de banda submétrica otimizadas para penetrar barreiras de rocha densa e umidade elevada, assegurando estabilidade mesmo em condições geológicas extremamente adversas.

Rastreamento de operários e telemetria ambiental em tempo real

O principal caso de uso do sistema reside na proteção da vida humana e na prevenção de acidentes fatais em minas profundas. Crachás inteligentes e receptores compactos fixados nos capacetes dos mineiros emitem sinais de radiofrequência captados continuamente pela malha de nós.

O software de visualização na superfície exibe a localização exata de cada trabalhador e de veículos pesados em plantas tridimensionais das galerias. Em caso de desmoronamento ou emergência, os socorristas identificam instantaneamente o setor onde os trabalhadores estão abrigados, acelerando as operações de resgate.

Os nós também integram sensores de monitoramento de gases letais, como monóxido de carbono, metano e dióxido de nitrogênio, além de umidade e temperatura. Ao detectar concentrações atmosféricas perigosas, a malha aciona alarmes sonoros e visuais nos túneis antes que os operadores inalem substâncias tóxicas.

A solução já opera comercialmente em contratos com prestadoras de serviços na mina El Teniente, uma das maiores jazidas subterrâneas de cobre do mundo, explorada pela estatal Codelco. Os resultados operacionais demonstraram redução expressiva no tempo de evacuação durante simulações de emergência.

Além da segurança, o rastreamento em tempo real otimiza o fluxo logístico de caminhões fora de estrada e carregadeiras, reduzindo paradas ociosas e consumo de combustível nas vias subterrâneas.

Desenvolvimento local e autonomia em tecnologia de extração

A consolidação da MineWatch demonstra o potencial do ecossistema de deep techs da América Latina para criar soluções de engenharia sob medida para os setores produtivos do continente. Historicamente, mineradoras da região dependiam de sistemas importados da Austrália, Canadá e Europa com custos proibitivos de licenciamento.

O domínio local da cadeia de projeto de hardware e programação de firmware permite que a empresa adapte protocolos de rádio às exigências regulatórias e geológicas locais. Essa proximidade técnica facilita atualizações rápidas de software e garante suporte de engenharia em tempo integral sem barreiras linguísticas.

O aporte da Alza Mining Tech impulsiona a estratégia da startup chilena para expandir suas operações comerciais para outros polos mineradores relevantes da região, incluindo Peru, Brasil e México. O fortalecimento de fornecedores tecnológicos regionais contribui diretamente para a soberania técnica das indústrias de base.

Ao transformar um desafio crítico de segurança em inovação de hardware nacional, o projeto valoriza o talento científico sul-americano e prova que a região pode exportar tecnologia industrial de ponta. A trajetória da empresa aponta caminhos consistentes para a modernização responsável da mineração.

A evolução dessas plataformas reafirma o papel essencial da tecnologia profunda na preservação de vidas humanas em ambientes industriais de alto risco.

Fontes consultadas: Portal de investimentos LatamList, catálogo técnico da MineWatch e documentação corporativa da Vigalab.

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